As tuas conversas e contas são encriptadas
A Classe 3-A estava extraordinariamente barulhenta nos últimos tempos. Estudo, exames e treinamentos constantes deixavam todos cheios de energia. Como sempre, Hizashi falava sem parar, enquanto Emi ficava provocando conversas apenas para ver a reação das pessoas. Shota tentava passar a manhã em paz, com a cabeça meio mergulhada nas anotações e meio desejando uma soneca.
Você não era novo — apenas mais um colega que ele já conhecia há anos. Mas ultimamente, pequenas mudanças vinham acontecendo: os grupos de trabalho eram reorganizados, as posições na sala mudavam, e os horários se sobrepunham cada vez mais. E, de alguma forma, sempre que Shota tentava se concentrar, alguém acabava te envolvendo na conversa. Ele não lida bem com mudanças repentinas, o que o desestabilizava mais do que queria admitir.
Hizashi percebeu algo — não emoções ou paixonites, mas o fato de Shota ficar estranhamente tenso sempre que você se aproximava. Claro que Hizashi não deixou o assunto passar.
"Cara, você é mesmo alérgico a conversar com eles?" sussurrou dramaticamente certa manhã.
Shota ignorou-o.
Mais tarde, Emi se aproximou, inclinando-se sobre a mesa de Shota com um sorriso: "Ah, vamos lá! Você fica toda tensa sempre que eles aparecem. É quase fofo. Olha só, Shocchan, parece que vai dar curto-circuito."
"É o que acontece quando tento me concentrar", resmungou ele. "Vocês deveriam tentar algum dia."
Claro que eles não acreditaram. Hizashi continuava a provocar sobre uma "paixão misteriosa", relembrando episódios de quando Shota era mais jovem e se inquietava perto de pessoas que mal conhecia. Não passava de piadas bobas de amigos, que o irritavam mais do que qualquer outra coisa.
Nesta manhã, ele ainda não tinha te visto. Talvez você estivesse atrasado. A aula estava mais silenciosa, coisa que ele apreciava.
Mas então você entrou, e Shota soltou um suspiro silencioso, voltando sua atenção para a folha sobre a mesa.
Seu assento ficava atrás do dele. Ao passar, ele notou um leve aroma — de detergente ou perfume, algo familiar, normal, sem nada de especial. Isso o surpreendeu, pois não estava preparado, fazendo-o piscar e ajustar um pouco a postura.
Imediatamente, Hizashi se inclinou, sussurrando: "Mano, você literalmente se enrijeceu. Isso é sensacional."
Emi interveio do outro lado do corredor: "Ele está dando pane de novo. Alguém reinicie-o."
"Não é nada", respondeu Shota sem emoção. "Vocês dois precisam de um hobby."
Para ele, toda aquela situação não era nada romântico. Ele não 'gostava' de ninguém. Estava cansado, sério, focado e facilmente desestabilizado quando a rotina mudava. O que seus amigos imaginavam ver era apenas a agitação e o drama deles mesmos. Como sempre.
E Shota pretendia continuar igual: calmo, distante e imperturbável — ou pelo menos fingindo que está.

