Seus chats e contas são criptografados
Em Paris, antigamente, Marinette Dupain-Cheng era conhecida como a garota brilhante, talentosa e desajeitadamente desorganizada que, de alguma forma, conseguia conciliar suas tarefas, amizades, projetos de moda e salvar toda a cidade sem jamais conseguir manter seu quarto arrumado nem por cinco minutos.
Ela cresceu carregando o peso do Miraculous da Ladybug, correndo pelos telhados, solucionando desastres, lutando contra vilões, enfrentando os problemas típicos da adolescência e, mesmo assim, conseguia parecer heroica sempre que as câmeras a captavam. Naqueles tempos, tudo parecia caótico, mas mágico, correndo de um sino escolar à sirene do akuma, e sempre terminava saindo vencedora.
Anos se passaram e a vida mudou. A universidade substituiu o ensino médio, seus amigos se dispersaram em suas próprias rotinas e o ritmo constante das batalhas deu lugar a noites em silêncio.
Mas mesmo no silêncio, a magia nunca deixou de crescer. Os akumas apareciam aqui e ali, restos de uma magia negra residual. Eram lutas simples que já não demandavam mais do que alguns minutos para se resolver, mas a cada transformação, cada fusão, cada poder emprestado, uma faísca se acumulava. Dentro do Miraculous, como brasas em um espaço fechado, imperceptíveis até se tornarem excessivamente brilhantes e acenderem um fogo.
A princípio, os sinais eram inofensivos.
O Lucky Charm aparecia com um brilho estranho. Um ioiô que ricocheteava na parede com força excessiva, causando mais danos colaterais do que o previsto.
Pequenas explosões de energia que ela tentava minimizar com risadas nervosas, dizendo coisas como "Desculpe. Tudo estava sob controle, totalmente normal, não precisa se preocupar."
Mas naquela noite, a verdade explodiu.
Você chegou a tempo ao quarto compartilhado na residência universitária para testemunhar um caos mágico puro.
O ioiô girava freneticamente pelo ar, ricocheteando em lâmpadas, prateleiras e, infelizmente, na sua xícara favorita, que se esfacelou com um entusiasmo trágico.
Marinette estava no meio de tudo, meio transformada, piscando entre formas como se o Miraculous não soubesse em quem se deveria transformar.
Linhas brilhantes percorriam seu traje, mudando de cor e pulsando como fogos de artifício instáveis que tentavam imitar uma fantasia de super-heroína.
Ela se voltou para você com a expressão aterrorizada de quem não deseja, sob nenhuma circunstância, ser vista assim, e muito menos por um colega de quarto. Erguendo ambas as mãos como se tentasse acalmar um animal selvagem, ela disse:
Marinette: "Não entre em pânico, está bem? Mantenha a calma... super calma... isto é apenas um sonho." Forçou um imenso sorriso nervoso. "Sim. Um sonho. Totalmente um sonho."
Houve uma pausa constrangedora, o ioiô voltou a bater na parede, e ela fez uma careta antes de perguntar com uma esperança desesperada:
Marinette: "Você realmente acreditou?"
Você nem teve tempo para responder. Uma pequena figura se desprendeu da transformação instável e voou em sua direção, desmoronando-se em sua palma no instante em que aterrissou.
Era Tikki, mas debilitada, com seu brilho ofuscado. Ela tremia como se cada faísca de poder em seu diminuto corpo tivesse sido drenada. Desabou em sua mão, agarrando-se apenas à consciência, enquanto seu habitual calor piscava como uma vela ao vento. Marinette arfou, tropeçando para a frente e quase caindo sobre uma cadeira que, até dois segundos antes, não atrapalhara seu caminho. Sua voz se quebrou de medo ao tentar recuperar o equilíbrio, com a transformação ainda oscilando em seu corpo.
E foi nesse instante que, finalmente, você deixou cair seu disfarce.
Porque você não era apenas um colega de quarto ou um espectador.
Você também era um kwami — um ligado à cura, ao equilíbrio e à restauração da magia.
Sua forma humana havia sido um presente de Trixx, o kwami da ilusão, um simples disfarce para se misturar na vida cotidiana até que seu propósito voltasse a emergir.
Você explicou tudo com calma enquanto Marinette olhava para você com a expressão atônita de quem já viveu surpresas demais em uma única noite.
A sobrecarga dentro do Miraculous da Ladybug havia se tornado perigosamente intensa com os anos. A fusão de seus múltiplos poderes —Ladybug, forma Noir, forma Cósmica, forma Gelo, forma Aqua, forma Dragão, Mimic e muitos mais— acumulou tanta energia em Tikki que seu núcleo já não podia conter a pressão.
Se nada fosse feito, ela desapareceria.
Não hoje, não imediatamente, mas inevitavelmente.
Marinette ficou paralisada, enquanto o brilho instável ao seu redor se enfraquecia diante do impacto daquela verdade. Olhou para Tikki, depois para você e, finalmente, para o caos que se espalhava pelo quarto, com a culpa e o medo claramente estampados em seu rosto. Mesmo assim, ela tentou se desculpar por tudo — pela xícara quebrada, pela bagunça, pelas faíscas e, de alguma forma, por toda a situação cósmica.
Você lhe disse que ela não estava sozinha.
Seu poder existe para momentos exatamente como este: para extrair o excesso, estabilizar o fluxo e evitar que um kwami colapse sob um peso demasiado pesado para carregar sozinho.
Marinette respirou profundamente, hesitante, deu um passo à frente, quase escorregou sobre um caderno no chão, recompôs-se fingindo que tinha planejado aquilo e estendeu sua mão para você e para o debilitado Tikki.
A esperança e o medo se misturaram em seus olhos.
O quarto mergulhou em um silêncio profundo.
A magia se acalmou.
*E agora a pergunta entre vocês é: como vocês, você e Marinette, unir-se-ão para controlar esse poder instável antes que destrua tudo pelo que ela lutou com tanto empenho?

