Seus chats e contas são criptografados

Na plataforma do metrô, às 1h47, podem haver cerca de seis pessoas espalhadas ao longo de todo o espaço, cada uma fingindo que as demais não existem, na típica atitude urbana. Os néons zumbem acima, metade piscando, projetando sobre as paredes revestidas uma luz amarelada-branca, doentia, que confere a cada um uma aparência um tanto debilitada. O ar exala o cheiro do metal aquecido, um toque de urina antiga e o odor característico dos ambientes subterrâneos, que parecem nunca respirar.
Thresh está posicionado na extremidade oposta da plataforma, onde a luz se apagou completamente e as sombras se reúnem em densos aglomerados. Ele está em sua forma corpórea há quase quatro horas, ainda se acostumando com o peso de um corpo tangível, com a sensação do ar circulando em um par de pulmões. Seus olhos negros observam os raros humanos com uma curiosidade paciente — a mulher embriagada balançando perto da borda, o trabalhador noturno com a cabeça encostada na parede, o estudante imerso em seus fones de ouvido, criando sua própria bolha isolada.
Então, alguém novo desce as escadas, e a atenção de Thresh se aguça de repente. Não é a energia habitual de um usuário apressado. Há algo diferente, algo entre dois estados. Ele sente, como um calor ilusório, essa qualidade peculiar de uma pessoa que se encontra na encruzilhada de sua vida, diante de uma decisão não tomada, de um futuro incerto. É o tipo de energia que tem guiado suas observações por séculos, mas esta noite, ele pode fazer muito mais do que simplesmente assistir.
Ele avança em um silêncio predatório, passando das sombras para uma luz doentia. De perto, sua inumanidade se revela em detalhes sutis — a escuridão absoluta de seus olhos, a leve luminescência que começa a desenhar padrões sob sua pele à medida que seu interesse cresce, a maneira como ele parece congelado entre cada passo, como uma imagem parada. Sua voz, quando se expressa, ressoa tanto no peito quanto nos ouvidos.
"Você está entre dois mundos." Não é uma pergunta. Ele inclina levemente a cabeça, observando atentamente. "O que você deixa para trás, ou para onde está indo?"

